domingo, 21 de fevereiro de 2010

Atualidade - Politica : Maçonaria: 100 anos trabalhando pelo Acre - Eles ajudaram a desbravar os rios e florestas, lutaram na Revolução Acrena


Juracy Xangai

As festividades comemorativas dos cem anos da Maçonaria no Acre tiveram início pela loja Bandeirantes do Acre, em Xapuri, a primeira do Estado. A sessão magna de comemoração do centenário da loja foi marcada pela inauguração da galeria dos ex-veneráveis e a transmissão de cargo do venerável mestre Pedro Longo para o venerável Carlos Silva Novais.

A primeira loja maçônica acreana nasceu a bordo do navio nacional “Rio Tapajós”, que esteve ancorado no Porto de Xapuri no dia 3 de janeiro de 1903. A sessão solene contou com a participação de 51 obreiros, os quais exerciam ofícios de seringalistas, comerciantes e comerciários. Seu primeiro venerável mestre foi Francisco d’Oliveira Conde.

Na década de 20, as lojas Acre e União Acreana fundiram-se no dia 7 de agosto de 1924 na loja Bandeirantes do Acre número 1, que está localizada na rua 24 de Janeiro, centro de Xapuri. Dentre seus 27 veneráveis pode-se destacar o empresário Alberto Zaire, o ex-governador e ex-senador Jorge Kalume e o venerável Almir Santana Ribeiro, que chegou ao grão-mestrado, cargo máximo da Maçonaria.

Para marcar a importância dessa data, a sereníssima Grande Loja Maçônica do Estado do Acre representada pelo grãos mestre Vanderlei Freitas Valente presenteou a loja Bandeirantes do Acre com uma placa contendo os nomes de todos os veneráveis que dirigiram seus trabalhos.

.: Cem anos de trabalho :.

A Bandeirantes do Acre abriu as comemorações que se estenderão pelos próximos dois anos aos longo dos quais mais quatro lojas comemorarão seu centenário. Em Rio Branco está a loja Igualdade Acreana, em Sena Madureira Fraternidade e Trabalho, em Tarauacá Libertadora Acreana e em Brasiléia Tereza Cristina. A grande loja de Rio Branco distribui regularidade às do interior. Os municípios de Jordão, Santa Rosa, Rodrigues Alves, Mâncio Lima, Assis Brasil, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo ainda não tem, mas estão organizando suas lojas.

“Temos uma família maçônica centenária que veio para o Acre com o ciclo econômico da borracha. Até 20 de agosto de 1933 estivemos subordinados à grande Loja do Amazonas, da qual poucos acreanos sabem, mas que muito contribuiu com a Revolução Acreana e a anexação do Acre ao Brasil”, enfatiza o grão-mestre Vanderlei Valente.

Ele destacou a importância das comemorações do centenário da Loja Bandeirantes do Acre, iniciadas na sexta-feira, dia 18 de fevereiro com um ritual interno e, no sábado aberto à comunidade e visitantes para a inauguração da galeria dos ex-veneráveis e baile de gala prestigiados pelo secretário da Agricultura e Pecuária, Mauro Ribeiro representando o governador Jorge Viana e o deputado Delorgem representando a Assembléia Legislativa do Estado do Acre.

“Conclamamos todos os irmãos à unidade por esta ordem centenária para que continuemos mostrando o postulado maçônico engrandecendo a ordem e fazendo a espargir para todos os municípios que ainda se fazem carentes do amparo da Maçonaria”, declarou o venerável, confirmando os planos de expansão da ordem para as demais localidades do Estado.

.: A Maçonaria na construção do Estado :.

Os nomes das lojas maçônicas evocam o espírito que inspira seus membros, como pedreiros construtores da ordem e da sociedade em si. Bandeirantes do Acre relembra o pioneirismo dos que desbravaram com dinamismo e espírito revolucionário os rios e terras que compõem o Estado.

Eram homens comprometidos com seu tempo e sua pátria, por isso se revoltaram e participaram ativamente da Revolução Acreana, não contra a Bolívia, mas contra o esbulho que seria promovido pelo Bolivian Sindicate sobre nossas riquezas.

Destaca-se aí a figura do coronel José Cardoso Ramalho Júnior venerável mestre por várias vezes reeleito para dirigir a Loja Esperança e Porvir, em Manaus. Governador do Amazonas de 1998 a 1900, quando o Brasil parecia disposto a entregar o Acre à Bolívia, discordou e enviando dinheiro e apoio para que a luta continuasse, desembocando na grande Revolução Vitoriosa de Plácido de Castro. Graças ao espírito desprendido de José Ramalho o Amazonas perdeu parte de suas terras para ajudar a formar o Acre.

Outro exemplo foi o grão-mestre Antônio Pinto do Areal Souto, foi prefeito do Departamento do Alto Purus, intendente de Sena Madureira, secretário geral do Departamento e segundo governador do Território do Acre. Defendia da libertação do homem pela instrução e assim criou diversas escolas pioneiras como a Escola normal Carneiro Ribeiro e é um dos fundadores da Academia Acreana de Letras.

Primeiro venerável mestre da Maçonaria no Acre, Francisco d’Oliveira Conde era autodidata , mergulhou fundo em seus estudos e chegou à função de adjunto de Promotor Público do Departamento do Alto Acre.

Nomeado pelo presidente da República, Hermes da Fonseca como tenente coronel comandante do 5º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional. Foi um dos fundadores do Colégio Acreano, além de outros cargos chegou a ser vice governador do Acre.

Juracy Xangai

( Fonte : http://pagina20.com.br/02032006/p_0302032006.htm )

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