domingo, 9 de maio de 2010

FI-DÉ-LI-TAS







Uma das coisas que mais atraíram minha atenção logo que iniciei na Ordem DeMolay foi a ritualística. Esse modo peculiar de incutir em nossas mentes princípios, valores e disciplina nos permite aos poucos vislumbrar o quanto nossas atitudes podem, devem e são norteadas pelo aprendizado contínuo proporcionado através do cultivo consciente de hábitos saudáveis. Um bom exemplo disso é que em todas as reuniões da Ordem tem-se o canto do Hino Nacional Brasileiro como prática invariável. No começo, nós, ainda adolescentes e cheios de complexos, vemos isso como “careta”. Depois de algum tempo, nossa leitura passa ser de dificuldade porque a letra do Hino é longa, em alguns trechos complexa e até inteligível, devido ao vocabulário “rebuscado” e proveniente de uma época remota. Mais à frente, nos identificamos tanto com o Hino que passa a ser um imenso prazer cantá-lo em uníssono em nosso Capítulo, muito mais nos Congressos, quando podemos compartilhar com outros DeMolays o orgulho de sermos Brasileiros e “gritarmos” o Hino do Brasil. Por mais que o tempo passe, e ele inexoravelmente passa, todas as vezes que tenho tido a oportunidade de reviver essa experiência meu coração se enche de alegria ao ver jovens DeMolays ainda tímidos, envergonhados, algumas vezes até fingindo cantar por não saberem a letra de cor ou mesmo por ainda não a entenderem por completo, o quanto esse ato exigido brilhantemente pela ritualística pode nos fazer cada vez mais e melhores cidadãos. Não para facilitar as coisas, nem mesmo para tirar a chance de cada um, no seu tempo, viver suas próprias experiências, mas sim para passar adiante o que me ensinou um dia, ou melhor, a maneira como me foi ensinado por um certo Tio Luiz Carlos Gonzaga, o líder maior da Ordem DeMolay do Estado de São Paulo nas primeiras duas décadas da Ordem em nosso Estado. Ele dizia que os trechos do Hino nos quais percebia maiores dificuldades das pessoas em lembrar, e que para ele tinham um imenso significado para a vida de cada um de nós eram os seguintes:

“... UM SONHO INTENSO, UM RAIO VÍVIDO...”
“... DE AMOR ETERNO SEJA SÍMBOLO...”

Dizia que as grandes conquistas na vida dependiam de muito esforço, dedicação e determinação, porém, muito simples de serem alcançadas quando a paixão fosse a força motriz em tudo o que nos propuséssemos a fazer. Para quem o conheceu, sabe que ele era um exemplo vivo desse preceito. Para ele, esses dois trechos do Hino nos dão a lição-guia para conseguirmos tudo o que quisermos. “Sonhe seus sonhos de forma tão intensa, de forma que esse sonho não caiba dentro de você e que brilhe nos seus olhos como um raio vívido. Corra atrás de seus sonhos de maneira apaixonada, vivendo-os com amor profundo, pois só assim, seus feitos serão símbolos eternos.” Assim, eu jamais esqueci a ordem das estrofes, porque fiz delas a ordem das coisas na minha vida. Para realizarmos grandes coisas, antes de tudo temos que sonhar e depois amar esse sonho eternamente. Tenho sonhado muito e, ainda mais, a cada novo sonho tenho sonhado coletivamente. Cada vez mais descubro que os sonhos que tenho são os mesmos de muitos e que esses sonhos não são os nossos sonhos, mas que os nossos sonhos são os meus. Por isso, enxergo como um raio vívido que a Loja Fi-dé-li-tas é nosso maior símbolo de amor eterno, de um sonho intenso que sonhamos juntos.

por Ir.Fredy Munhoz